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La Poderosa II

May 6, 2019

La Poderosa II, tal como está exposta no museu Che Guevara em Alta Gracia (Argentina), esta moto é uma réplica já que a original foi abandonada em Santiago do Chile, é razoável imaginar que lhe faltam adereços, um segundo banco por exemplo, que tornariam possível a viagem com 2 ocupantes ("Che" e Alberto) mais o material essencial à viagem! 

 

Diarios de Motocicleta (em inglês: The Motorcycle Diaries) é um livro de notas de viagem de Ernesto “Che” Guevara (1928-1967) em que uma moto, que “Che” alcunhou La Poderosa II, tem o protagonismo próprio de ter sido o veículo que o transportou através de aventuras que assumem a importância de ser, em boa parte, responsáveis pela formação ideológica de “Che”.

 

A preparação

 

Inicialmente, em Janeiro de 1950, enquanto era aluno de medicina - desde 1948, na Universidade de Buenos Aires -, “Che” empreendeu uma viagem de 4.500 kms através das províncias do Norte da Argentina até San Francisco del Chañar (perto de Córdoba) onde se encontrou com o seu amigo Alberto Granado que aí dirigia um sanatório de lepra. Como veículo utilizou uma bicicleta que, para o efeito, equipou com um pequeno motor.

 

 

O veículo que "Che" Guevara utilizou na sua primeira grande viagem, à esqª em acção e. à direita no museu Che Guevara em Alta Gracia (Argentina) (foto de Niels Elgaard Larsen)  

 

A intenção primeira da viagem era cientifica já que lhe permitiria ter contacto com médicos e doentes ao longo do percurso. Ainda assim resultou numa experiência de vida de grande importância para a sua maneira de pensar. As dificuldades inerentes à dimensão do percurso e à escassez dos meios de que dispunha puseram-no em contacto com a dura realidade social de que se pôde aperceber e, as ajudas que a solidariedade e hospitalidade das pessoas, com quem se cruzou, lhe prestou, despertaram-no para encarnar o mito em que posteriormente se tornou.

 

Completar esta difícil jornada, abriu-lhe o apetite para conhecer Mundo. O periódico desportivo El Gráfico publicou uma foto de “Che” com a sua bicicleta motorizada, dando visibilidade ao feito e, curiosamente, publicidade de que a empresa fabricante do motor se serviu.

 

 

Ainda, durante o seu percurso académico, trabalhou como enfermeiro em navios petroleiros o que lhe proporcionou alargar os horizontes já que navegava entre o Sul da Argentina, Brasil, Venezuela e Trinidad.

 

A expedição

 

A 4 de Janeiro de 1952, juntamente com o seu amigo Alberto Granado (1922-2011), empreenderam uma viagem com que sonhavam há anos: atravessar a América do Sul de moto.

 

Para o efeito, utilizaram uma NORTON 500cc de 1939 que era propriedade de Granado. Por comparação metafórica ao cavalo de D. Quixote, o Rocinante, baptizaram a moto de La Poderosa II.

 

A NORTON 500cc de 1939 em estado de colecção 

 

Alberto e Che com a moto original 

 

O objectivo era percorrer todo o Continente, partindo de San Francisco no Sul da Argentina até chegar aos Estados Unidos da América, um total de 12.000 km e 7 meses de viagem planeados.

 

A moto teria que transportar os dois aventureiros e toda a parafernália que julgaram necessária: mantas, roupa, utensílios de cozinha e até pás e picaretas!

  

A ideia era atravessar a costa do Chile através do deserto de Atacama, após de 7 meses de viagem, em Santiago do Chile, La Poderosa II, depois de ter suportado quedas, travessias de neve e o desgaste próprio da dureza das condições de viagem, entregou a alma ao criador e, a partir daí, os dois aventureiros desenrascaram-se como puderam para cumprir a demanda. Trabalharam em pequenos serviços ou praticando as suas artes médicas conseguindo subsistir e progredir com dificuldade.

 

O contacto com as muito duras condições sociais e laborais com que lidaram, “Che” estava convencido que a sua missão seria lutar pelos seus ideais em detrimento da medicina, ainda que, por insistência familiar, tenha terminado a sua formação académica.

 

Posteriormente, ambos os protagonistas, seguiram o rumo do ativismo político, ambos argentinos, rumaram a Cuba onde foram figuras do regime, “Che” teve o trágico fim que é público e Alberto fundou a Universidade de Santiago de Cuba (Escola de Medicina), o resto é história do século XX e não tem motos, como tal não nos cabe aqui tratá-la.

 

Diarios de Motocicleta, o livro e o filme

 

Capas de diferentes edições do livro 

 

Apesar da alguma oposição da familia de “Che”, a compilação Diarios de Motocicleta foi publicada pela primeira vez em 1993 em Cuba e, posteriormente, com a anuência de muita gente, inclusive Fidel Castro, a Ocean Press publicou, com o prefácio da filha, Aleida Guevara, em 2003, The Motorcycle Diaries.

 

Cartaz do filme The Motorcycle Diaries 

 

Esta aventura tem sido muito explorada no cinema:

  • em 2004, realizado por Walter Salles: The Motorcycle Diaries (126min);

  • em 2004, realizado por Gianni Mina: documentário (110 min);

  • em 2007, o National Geographic Adventure, realizou uma série de 10 episódios: Chasing Che;

  • em 2008, realizado por Steven Soderbergh e como protagonista Benicio del Toro: Che (268min)

 

Trailer do filme The Motorcycle Diaries 

 

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