Board Track


As corridas de motos nas pistas Board Track, nos Estados Unidos da América, tiveram o seu inicio no fim da primeira década do século XX, atingiram o seu auge por volta de 1920 e não sobreviveram à grande depressão, tendo desaparecido por volta de 1930.


Inicialmente faziam uso de recintos construídos para provas de ciclismo. O piso era em madeira e, devido à sua função original, a largura da via limitava bastante o número de pilotos que podia partilhar a pista, dois de cada vez na maioria dos casos.


INDIAN Eight Valve, 1913, uma das primeiras motos de Board Track


O aumento da popularidade desta modalidade implicou a construção de recintos próprios para o motociclismo e que, posteriormente, viriam, também, a ser utilizados para corridas de automóveis.


Os Motordrome inspiravam-se nos Velódromos europeus, o piso era em madeira (pranchas de 51 mm x 100 mm), o desenho era usualmente oval ou circular, os perímetros variavam e podiam chegar a cerca de 2 milhas (3,2 km) – normalmente tinham 0,5 milhas (0,8 kms), 1 milha (1,6 kms), 1,25 milhas (2 kms), 1,5 milhas (2,4 kms) e os maiores 2 milhas (3,2 kms) - e uma das principais características era o grau de inclinação das curvas que era, normalmente, de 45 graus e que podia chegar, nos casos mais extremos, aos 50 graus. Estes traçados já permitiam mais concorrentes em pista, o que juntamente com o grau de inclinação das curvas permitia estonteantes, em 1915, velocidades médias superiores a 160 km/h.


As motos utilizadas não tinham travões nem suspensão e eram rebocadas por outras motos para por o motor em funcionamento. As marcas (HARLEY DAVIDSON, INDIAN, EXCELSIOR, etc...) que disputavam o mercado, enfrentavam-se nestes recintos lutando pela imagem de vitória que viesse a favorecer a actividade comercial.


INDIAN Cyclone da colecção de Steve McQueen, era capaz, em 1911, de atingir os 180 km/h


Até 1929, pelo menos, 24 pistas tinham sido construídas ao longo dos Estados Unidos da América. O público aderiu em massa a este tipo de provas, em 1915 foi reportado um número de 80.000 espectadores na corrida de Chicago. Os pilotos, atraídos por prémios chorudos, compareciam e punham todo o seu empenho, o resultado destes ingredientes foram corridas espectaculares.


1921, 24 de Abril, Los Angeles Motor Speedway (filme: Archive Moto)


A modalidade acabaria por desaparecer durante a grande depressão devido aos problemas económicos e também, em grande parte, pelo perigo físico que implicava. Houve muitos acidentes mortais que vitimaram pilotos e público.


HARLEY DAVIDSON, 1923


Devido a esta circunstância os Motordrome passaram a ser chamados, na gíria, de Murderdrome!


Os acidentes mais graves de que há memória, nesta modalidade, foram em 1912 em Newark (Nova Jersey) – Eddie Hasha (INDIAN) entrou pelo público dentro, arrastando outro piloto Johny Albright, ambos morreram, tendo vitimado mais 6 pessoas entre o público – e em 1913 em Ludlow/Lagoon Motordrome (Kentucky) – Odin Johnson colidiu contra um poste de iluminação, a moto incendiou-se e o rescaldo foi a morte do próprio piloto mais 8 mortes entre o público para além de um número indeterminado de feridos -.


Os pilotos cujos nomes aparecem apenas em rodapé na história do motociclismo, eram, usualmente, jovens agricultores provenientes das quintas próximas dos eventos, alguns dos mais notáveis foram: Jim Davis, Gene Walker, Fred Ludlow, Albert “Shrimp” Burns, Ralph Hepburn e Ray Weishaar.


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