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Fórmula 750cc, da criação ao desaparecimento!

April 29, 2019

 

A YAMAHA TZ 750 F (1979), a última versão do modelo que marcou esta classe 

 

No período entre os anos 50 e o fim dos anos 60, o evolução dos motociclos de série esteve adormecida, a produção de modelos de grande capacidade foi pontual e não teve grande expressão percentual no mercado.

 

Em 1969, a HONDA introduziu a icónica CB 750 Four (4 cilindros, refrigeração por ar, 4T, 68 CV) e o impacto deste modelo nas vendas e na imagem de marca foi enorme, o que provocou o aparecimento de outras marcas neste segmento exclusivo. Em 1971, a KAWASAKI com a 750 H2 (3 cilindros, refrigeração por ar, 2T, 74 CV) e também a SUZUKI com a GT 750 (3 cilindros, refrigeração liquida, 2T, 67 CV), institucionalizaram as 750cc.

 

Nesta época a indústria britânica ainda estava ativa e produzia algumas motos de grande capacidade enquanto em Itália se produziam, salvo raras exceções, motociclos equipados com motorizações de pequena cilindrada.

 

Na competição, ao nível internacional, a FIM institucionalizou as 500cc como a classe rainha da Velocidade, enquanto na Resistência eram permitidos, motores de 750cc, no inicio, e, posteriormente, 1.000cc.

 

Entretanto, nos EUA já existia o hábito de competir com motos de maior capacidade nas provas de Dirt Track e Short Track.

 

Em 1971, a AMA (federação de motociclismo americana) passou, finalmente, a integrar a FIM (federação internacional) e, juntamente com a ACU (a federação inglesa) regulamentaram a Fórmula 750.

 

O regulamento impunha um número mínimo para homologação (200 unidades, uma pequena quantidade por forma a permitir a adesão das marcas europeias) no sentido de admitir apenas motos derivadas de modelos de série, apesar disso, o regulamento era bastante liberal no que diz respeito à preparação permitida, tanto ao nível de motor como de ciclística e silhueta. Ao não especificar que as motos autorizadas a participar teriam que derivar de um modelo homologado para andar em estrada, fiando-se apenas na quantidade mínima de homologação como elemento dissuasor, deixou uma brecha que mais tarde a YAMAHA soube utilizar para se impor de forma avassaladora nesta classe. Curiosamente, também, ao não instituir um limite mínimo de cilindrada, abriu a participação às competição cliente da YAMAHA, as icónicas TZ.

 

As icónicas superbike japonesas: HONDA CB 750 Four, KAWASAKI 750 H2 e SUZUKI GT 750 

 

O Troféu FIM Fórmula 750cc

 

1973

 

Barry Sheene, 1973, aos comandos da SEELEY SUZUKI que ganhou a alcunha de "water buffalo"

 

Em 1973 disputou-se o primeiro troféu FIM para esta classe, a prova inicialmente prevista para os EUA foi anulada e, assim, a primeira prova foi disputada em Imola. Foram os seguintes os vencedores das provas que pontuaram para o troféu:

  • Imola (Itália) – Jarno Saarinen - YAMAHA 350cc (foi a única prova em que participou por ter falecido pouco tempo depois numa prova do CMV de 250cc em Monza)

  • Paul Ricard (França) – Barry Sheene – SEELEY SUZUKI 750cc

  • Anderstorp (Suécia) – Jack Findlay – SUZUKI 750cc

  • Ahvenisto (Finlândia) – Teuvo Lansivuori – YAMAHA 350cc

  • Mosport (Canadá) – Paul Smart – SUZUKI 750cc

  • Hockenheim (Alemanha) – Stanley Woods – SUZUKI 750cc

  • Jarama (Espanha) – John Dodds – YAMAHA 350cc

 

 Imagens da NORTON que, participou na primeira edição do troféu

 

Mercê da imprecisão regulamentar a YAMAHA TZ 350 foi considerada apta para participar nesta classe e curiosamente ganhou 3 das 6 provas disputadas e, não fora o prematuro e trágico desaparecimento de Jarno Saarinen, a história poderia ser outra, nestas circunstâncias, Barry Sheene aos comandos de uma SUZUKI com quadro SEELEY (derivada da GT 750) foi o primeiro campeão desta classe, as posições seguintes foram ocupadas respectivamente por John Dodds em YAMAHA TZ 350cc e por Jack Findlay em SUZUKI 750cc. Entre os construtores, de destacar uma grande variedade de marcas presentes na classificação final – entre as quais, várias europeias -, venceu a SUZUKI, sendo que nas posições seguintes ficaram, respectivamente, a YAMAHA, a TRIUMPH, a HONDA, a DUCATI, a NORTON, a HARLEY DAVIDSON, a KAWASAKI, a YAMSEL (SEELEY com motorização YAMAHA), a MOTO GUZZI e, por fim, a BSA.

 

1974

 

John Dodds, aos comandos de uma YAMAHA TZ 350 em 1974

 

Fazendo uso do “lapso” regulamentar que permitiu a entrada das TZ 350, em 1974 a YAMAHA tentou homologar (para a classe) a TZ 750 que, na sua versão inicial era de facto uma 700cc que utilizava dois grupos térmicos de TZ 350 num motor de 4 cilindros em linha. Apesar de à letra a moto cumprir os requisitos regulamentares, a FIM entendeu que não correspondia ao espírito da classe e hesitou na hora de a homologar.

 

Em resultado deste impasse, o troféu desenrolou-se com a polémica instalada e apenas se realizaram 3 das 7 provas inicialmente previstas. Assim, no segundo ano em que o troféu se disputou, foram os seguintes os vencedores:

  • Jarama (Espanha) – John Dodds – YAMAHA 350cc

  • Hameenlinna (Finlândia) – Pentti Korhonen – YAMAHA 350cc

  • Silverstone (Grã-Bretanha) – Paul Smart – SUZUKI 750cc

O vencedor do troféu foi John Dodds aos comandos de uma YAMAHA TZ 350cc , nas posições seguintes ficaram Patrick Pons também aos comandos de uma TZ 350cc e Jack Findlay numa SUZUKI 750cc, o que deixou claro, se dúvidas houvesse, que algo estava mal nesta classe.

 

Entretanto disputaram-se provas extra-troféu onde a TZ 750cc foi admitida, as performances da moto tornaram clara a necessidade de, contra ventos e marés, a encaixar por forma a popularizar uma classe que estava em agonia.

 

1975

 

Jack Findlay, 1975, aos comandos da sua TZ 750 

 

Finalmente, em 1975, a FIM permitiu a homologação da YAMAHA TZ 750 e, simultaneamente, homologou um motor KAWASAKI com o bloco da H2 e refrigeração liquida, aceitando, neste último caso a produção de apenas 25 unidades, a moto com este kit passou a designar-se H3!

 

KAWASAKI 750 

 

Esta medida deu um novo alento a esta fórmula, o troféu foi disputado em nove eventos com distância mínima de 200 milhas, normalmente – excepto em Daytona - disputadas em duas mangas, uma medida que se justificava pelos problemas de consumo e de durabilidade dos pneus. O domínio da YAMAHA foi avassalador, na primeira prova, em Daytona, os primeiros 19 classificados tripularam as dominadoras TZ 750. Os vencedores foram:

  • Daytona (Estados Unidos da América) – Gene Romero – YAMAHA 750cc

  • Imola (Itália) – 1ª M – Johnny Cecotto – YAMAHA 750cc

  • Imola (Itália) – 2ª M – Johnny Cecotto – YAMAHA 750cc

  • Mettet (Bélgica) – 1ª M – Patrick Pons – YAMAHA 750cc

  • Mettet (Bélgica) – 2ª M – Dave Potter – YAMAHA 750cc

  • Magny-Cours (França) – 1ª M – Barry Sheene – SUZUKI 750cc

  • Magny-Cours (França) – 2ª M – Barry Sheene – SUZUKI 750cc

  • Anderstorp (Suécia) – 1ª M – Barry Sheene – SUZUKI 750cc

  • Anderstorp (Suécia) – 2ª M – Barry Ditchburn – KAWASAKI 750cc

  • Hameenlinna (Finlândia) – 1ª M – Tapio Virtanen – YAMAHA 750cc

  • Hameenlinna (Finlândia) – 2ª M – Tapio Virtanen – YAMAHA 750cc

  • Silverstone (Grã-Bretanha) – 1ª M – Johnny Cecotto – YAMAHA 750cc

  • Silverstone (Grã-Bretanha) – 2ª M – Barry Sheene – SUZUKI 750cc

  • Assen (Países Baixos) – 1ª M – Yvon Duhamel – KAWASAKI 750cc

  • Assen (Países Baixos) – 2ª M – Yvon Duhamel – KAWASAKI 750cc

  • Hockenheim (Alemanha) – 1ª M – Patrick Pons – YAMAHA 750cc

  • Hockenheim (Alemanha) – 2ª M – Patrick Pons – YAMAHA 750cc

No final da época, Jack Findlay, aos comandos de uma YAMAHA TZ 750cc, sagrou-se vencedor do Troféu FIM 750cc, sem ter vencido qualquer corrida, provando, ainda assim, que esta era uma competição cliente aos comandos da qual um piloto privado poderia aspirar a vitória! Nas posições seguintes ficaram, respectivamente Barry Sheene em SUZUKI 750cc e Patrick Pons com outra YAMAHA TZ 750cc. Entre os construtores, 3 marcas pontuaram, venceu a YAMAHA seguida da SUZUKI e da KAWASAKI.

 

1976

 

 

Apesar de esta classe se estar a tornar popular entre os pilotos, a FIM continuou a tratá-la como parente pobre e a impor critérios mais brandos aos organizadores dos eventos. Fruto deste relaxe, em 1976, as provas da Finlândia e da Suécia foram canceladas à última hora e a prova da Venezuela teve um erro na contagem de voltas, razão pela qual a FIM entendeu não considerar os resultados da mesma efeito de classificação final do, ainda, troféu.

 

Em Daytona, a primeira prova, a única corrida disputada apenas numa manga de 200 milhas, a durabilidade dos pneus foi o grande protagonista e apesar do favoritismo de Kenny Roberts, o vencedor foi Johnny Cecotto que optou por uma afinação de motor com uma entrega de potência mais suave, o que lhe permitiu fazer toda a corrida sem ter que mudar de pneus. Os vencedores desta época foram:

 

  • Daytona (Estados Unidos da América) – Johnny Cecotto – YAMAHA 750cc

  • San Carlos (Venezuela) – 1ª M – Johnny Cecotto – YAMAHA 750cc

  • San Carlos (Venezuela) – 2ª M – Steve Baker – YAMAHA 750cc

  • Imola (Itália) – 1ª M – Steve Baker – YAMAHA 750cc

  • Imola (Itália) – 2ª M – Steve Baker – YAMAHA 750cc

  • Jarama (Espanha) – 1ª M – Michel Rougerie – YAMAHA 750cc

  • Jarama (Espanha) – 2ª M – Michel Rougerie – YAMAHA 750cc

  • Nivelles (Bélgica) – 1ª M – Gary Nixon – KAWASAKI 750cc

  • Nivelles (Bélgica) – 2ª M – Mick Grant – KAWASAKI 750cc

  • Nogaro (França) – 1ª M – Christian Estrosi – YAMAHA 750cc

  • Nogaro (França) – 2ª M – Christian Estrosi – YAMAHA 750cc

  • Silverstone (Grã-Bretanha) – 1ª M – Steve Baker – YAMAHA 750cc

  • Silverstone (Grã-Bretanha) – 2ª M – Mick Grant – KAWASAKI 750cc

  • Assen (Países Baixos) – 1ª M – Phil Read – BAKKER YAMAHA 750cc

  • Assen (Países Baixos) – 2ª M – Giacomo Agostini – YAMAHA 750cc

  • Hockenheim (Alemanha) – 1ª M – John Newbold – SUZUKI 750cc

  • Hockenheim (Alemanha) – 2ª M – Gary Nixon – KAWASAKI 750cc

No final da temporada, Victor Palomo, aos comandos de uma BAKKER YAMAHA 750cc, sagrou-se campeão nesta categoria. Apesar de não ter vencido qualquer corrida o espanhol fez da regularidade a sua grande arma, beneficiando também do facto de os pilotos cabeça de cartaz se dedicarem primordialmente ao CMV em detrimento deste troféu. Gary Nixon em KAWASAKI 750cc e John Newbold em SUZUKI 750cc, ocuparam as posições seguintes. Com mais do dobro dos pontos que a segunda marca, a YAMAHA impôs-se entre os construtores, nas posições seguintes ficaram a KAWASAKI, a SUZUKI e, por fim, a DUCATI.

 

O Campeonato do Mundo de Fórmula 750cc

 

 

1977

 

Steve Baker, 1977, o primeiro Campão do Mundo de 750cc 

 

Finalmente, em 1977, a Formula 750 ganhou o estatuto de Campeonato do Mundo. Na pré-temporada foram discutidas algumas soluções técnicas no sentido de reduzir as prestações por forma a ajustá-las aos pneus disponíveis, no entanto, ficou tudo na mesma. Para normalizar a estrutura das corridas, foi imposto aos organizadores de Daytona que, também, essa corrida se disputasse em 2 mangas de 100 milhas cada. Os vencedores das corridas foram:

  • Daytona (Estados Unidos da América) – 1ª M – Steve Baker – YAMAHA 750cc

  • Daytona (Estados Unidos da América) – 2ª M – anulada devido a fortes chuvas

  • Imola (Itália) – 1ª M – Kenny Roberts – YAMAHA 750cc

  • Imola (Itália) – 2ª M – Kenny Roberts – YAMAHA 750cc

  • Jarama (Espanha) – Steve Baker – YAMAHA 750cc

  • Dijon-Prenois (França) – 1ª M – Christian Estrosi – YAMAHA 750cc

  • Dijon-Prenois (França) – 2ª M – Christian Estrosi – YAMAHA 750cc

  • Brands Hatch (Grã-Bretanha) – 1ª M – Steve Baker – YAMAHA 750cc

  • Brands Hatch (Grã-Bretanha) – 2ª M – Steve Baker – YAMAHA 750cc

  • Salzburgring (Áustria) – 1ª M – Steve Baker – YAMAHA 750cc

  • Salzburgring (Áustria) – 2ª M – anulada devido a fortes chuvas

  • Zolder (Bélgica) – 1ª M – Steve Baker – YAMAHA 750cc

  • Zolder (Bélgica) – 2ª M – Steve Baker – YAMAHA 750cc

  • Assen (Países Baixos) – 1ª M – Steve Baker – YAMAHA 750cc

  • Assen (Países Baixos) – 2ª M – Marco Lucchinelli – YAMAHA 750cc

  • Laguna Seca (Estados Unidos da América) – 1ª M – Skip Aksland – YAMAHA 750cc

  • Laguna Seca (Estados Unidos da América) – 2ª M - Steve Baker – YAMAHA 750cc

  • Mosport (Canadá) – 1ª M – Gregg Hansford – KAWASAKI 750cc

  • Mosport (Canadá) – 2ª M – Gregg Hansford – KAWASAKI 750cc

  • Hockenheim (Alemanha) – 1ª M – Giacomo Agostini – YAMAHA 750cc

  • Hockenheim (Alemanha) – 2ª M – Giacomo Agostini – YAMAHA 750cc

No final da época, Steve Baker sagrou-se como primeiro Campeão do Mundo desta classe, fruto das suas prestações e, mais uma vez, beneficiando do facto de os pilotos de ponta continuarem a a dar mais importância ao Campeonato do Mundo de Velocidade em detrimento desta fórmula, na verdade só participavam de forma significativa nos dois eventos que eram considerados mais importantes. Nas segunda e terceira posições ficaram respectivamente Christian Sarron e Giacomo Agostini. Os três primeiros classificados tripularam, naturalmente, as YAMAHA TZ 750cc!

 

Entre os construtores a hegemonia do modelo da YAMAHA concedeu o título a esta marca que ao obter 160 pontos suplantou a KAWASAKI com 33 pontos e a SUZUKI com 10 pontos! Entre os 50 pilotos que pontuaram, 47 tripulavam a YAMAHA TZ 750cc!

 

 

1978

 

A YAMAHA YZR 750 (OW31), a versão de fábrica com que Johnny Cecotto se sagrou campeão em 1978

 

Em 1978, apenas a KAWASAKI tentou contrariar a hegemonia da YAMAHA nesta classe, ainda assim, só apareceu na quinta prova. Ficou também claro que o sistema de pontuação em vigor, não era o ideal ou, tão pouco, o mais justo, a soma das duas mangas dava origem a uma classificação final do evento para efeito de pontos, assim sendo, quando um piloto desistia na 1ª manga, deixava de ter interesse na segunda, com isto o espectáculo ressentia-se e a verdade desportiva era defraudada.

 

10 eventos compuseram este campeonato e os vencedores foram:

  • Imola (Itália) – 1ª M – Christian Sarron – YAMAHA 750cc

  • Imola (Itália) – 2ª M – Johnny Cecotto – YAMAHA 750cc

  • Le Castellet (França) – Johnny Cecotto – YAMAHA 750cc

  • Brands Hatch (Grã-Bretanha) – 1ª M – Kenny Roberts – YAMAHA 750cc

  • Brands Hatch (Grã-Bretanha) – 2ª M – Kenny Roberts – YAMAHA 750cc

  • Osterreichring/A1-Ring (Áustria) – 1ª M – Kenny Roberts – YAMAHA 750cc

  • Osterreichring/A1-Ring (Áustria) – 2ª M – Kenny Roberts – YAMAHA 750cc

  • Jarama (Espanha) – Kenny Roberts – YAMAHA 750cc

  • Hockenheim (Alemanha) – 1ª M – Christian Sarron – YAMAHA 750cc

  • Hockenheim (Alemanha) – 2ª M – Kenny Roberts – YAMAHA 750cc

  • Nivelles (Bélgica) – 1ª M – Johnny Cecotto – YAMAHA 750cc

  • Nivelles (Bélgica) – 2ª M – Johnny Cecotto – YAMAHA 750cc

  • Assen (Países Baixos) – 1ª M – Gregg Hansford – KAWASAKI 750cc

  • Assen (Países Baixos) – 2ª M – Takazumi Katayama – YAMAHA 750cc

  • Laguna Seca (Estados Unidos da América) – 1ª M – Kenny Roberts – YAMAHA 750cc

  • Laguna Seca (Estados Unidos da América) – 2ª M – Kenny Roberts – YAMAHA 750cc

  • Mosport (Canadá) – 1ª M – Mike Baldwin – YAMAHA 750cc

  • Mosport (Canadá) – 2ª M – Mike Baldwin – YAMAHA 750cc

Desta vez, com mais pilotos de ponta verdadeiramente interessados, Johnny Cecotto foi o campeão

por uma curta margem de 2 pontos, á frente de Kenny Roberts, tendo Christian Sarron obtido a terceira posição do campeonato. A hegemonia da YAMAHA TZ 750cc manteve-se, 43 dos 45 pilotos que pontuaram tripulavam esta moto. Naturalmente, a YAMAHA (150 pontos) sagrou-se campeã entre os construtores à frente da KAWASAKI (30 pontos).

 

1979

 

Patrick Pons em 1979 

 

A coincidência ou proximidade de datas de algumas provas deste campeonato com o Campeonato do Mundo de Velocidade limitou, mais uma vez, a participação de alguns pilotos de ponta. Esta foi a principal razão porque Johnny Cecotto não conseguiu discutir o título nesta classe.

 

A interpretação do regulamento técnico continuou muito liberal, a SUZUKI conseguiu homologar a RG 500 com a cilindrada aumentada para 652cc e com a designação de XR23, a KAWASAKI participou alternadamente com a H2 (3 cilindros de refrigeração liquida) em alternância com a KR (4 cilindros). A FIM, ao ter permitido à KAWASAKI participar com a H2 de refrigeração liquida, baixou significativamente a exigência de quantidade mínima produzida, se, inicialmente a YAMAHA TZ 350cc e posteriormente a 750cc, cumpriam os preceitos regulamentares de 200 unidades produzidas e comercializadas na rede de retalho, a abertura à SUZUKI e à KAWASAKI com uma quantidade muito menor produzida, foi a machadada final no espírito que originou esta classe!

 

Mais uma vez, 10 eventos compuseram o calendário e os vencedores foram:

  • Mugello (Itália) – 1ª M – Christian Sarron – YAMAHA 750cc

  • Mugello (Itália) – 2ª M – Virginio Ferrari – SUZUKI 500cc

  • Brands Hatch (Grã-Bretanha) – 1ª M – Johnny Cecotto – YAMAHA 750cc

  • Brands Hatch (Grã-Bretanha) – 2ª M – Johnny Cecotto – YAMAHA 750cc

  • Nogaro (França) – 1ª M – Patrick Pons – YAMAHA 750cc

  • Nogaro (França) – 2ª M – Gregg Hansford – KAWASAKI 750cc

  • Le Castellet (Suíça) – 1ª M – Michel Frutschi – YAMAHA 750cc

  • Le Castellet (Suíça) – 2ª M – Johnny Cecotto – YAMAHA 750cc

  • Osterreichring/A1-Ring (Áustria) – 1ª M – Werner Nenning – YAMAHA 750cc

  • Osterreichring/A1-Ring (Áustria) – 2ª M – Werner Nenning – YAMAHA 750cc

  • Mosport (Canadá) – 1ª M – Patrick Pons – YAMAHA 750cc

  • Mosport (Canadá) – 2ª M – Michel Frutschi – YAMAHA 750cc

  • Laguna Seca (Estados Unidos da América) – 1ª M – Kenny Roberts – YAMAHA 750cc

  • Laguna Seca (Estados Unidos da América) – 2ª M – Kenny Roberts – YAMAHA 750cc

  • Assen (Países Baixos) – 1ª M – Boet van Dulmen – YAMAHA 750cc

  • Assen (Países Baixos) – 2ª M – Johnny Cecotto – YAMAHA 750cc

  • Hockenheim (Alemanha) – 1ª M – Patrick Pons – YAMAHA 750cc

  • Hockenheim (Alemanha) – 2ª M – Patrick Pons – YAMAHA 750cc

  • Rijeka (Jugoslávia) – 1ª M – Michel Frutschi – YAMAHA 750cc

  • Rijeka (Jugoslávia) – 2ª M – Johnny Cecotto – YAMAHA 750cc

No final da época, Patrick Pons alcançou o título na frente de Michel Frutschi e de um frustrado Johnny Cecotto (os três aos comandos de YAMAHA TZ 750cc) que se viu impedido de defender condignamente o título da época anterior em virtude do conflito de interesses entre o CMV e esta fórmula. Dos 60 pilotos que pontuaram, 56 fizeram-no aos comandos das YAMAHA.

 

O GP da Suíça foi disputado em França, devido à proibição, em vigor até hoje, das provas de velocidade nesse país.

 

SUZUKI XR23 utilizada por Virginio Ferrari em 1979 

 

Este foi o último ano em que o campeonato se disputou, várias foram as causas que podem ser apontadas para o desaparecimento de uma classe que, apesar de tudo, era espetacular:

  • alguma indefinição regulamentar levou ao aparecimento da YAMAHA TZ 750 OW31, no fundo, a marca tentou o mesmo caminho que tinha traçado nas 250cc e nas 350cc do CMV, ao proporcionar uma competição cliente de grandes prestações e custo reduzido, só que, neste caso, as outras marcas não lhe seguiram as pisadas o que tornou o campeonato pouco interessante do ponto de vista de disputa entre diferentes opções tecnológicas;

  • o facto de a tecnologia de pneus que, na altura, estava disponível não ter sido a mais adequada às prestações das motos;

  • a rapidez em pista ser, frequentemente, inferior à das 500cc, eram pouco os pilotos capazes de tirar todo o sumo desta motorização;

  • a menor visibilidade do campeonato face aos GP;

  • a força da federação inglesa que pretendia impor e um campeonato com motos derivadas de série, a Fórmula TT (Tourist Trophy);

  • uma tendência que se vinha a verificar e que pretendia criar uma classe Superbike que ideologicamente voltasse à génese das 750cc, especificando, desta vez, para além de quantidades maiores necessárias para homologação a necessidade de as motos estarem homologadas para circular na via pública.

 

 

 

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