Fórmula 750cc, da criação ao desaparecimento!

Atualizado: Jan 5


A YAMAHA TZ 750 F (1979), a última versão do modelo que marcou esta classe


No período entre os anos 50 e o fim dos anos 60, o evolução dos motociclos de série esteve adormecida, a produção de modelos de grande capacidade foi pontual e não teve grande expressão percentual no mercado.


Em 1969, a HONDA introduziu a icónica CB 750 Four (4 cilindros, refrigeração por ar, 4T, 68 CV) e o impacto deste modelo nas vendas e na imagem de marca foi enorme, o que provocou o aparecimento de outras marcas neste segmento exclusivo. Em 1971, a KAWASAKI com a 750 H2 (3 cilindros, refrigeração por ar, 2T, 74 CV) e também a SUZUKI com a GT 750 (3 cilindros, refrigeração liquida, 2T, 67 CV), institucionalizaram as 750cc.


Nesta época a indústria britânica ainda estava ativa e produzia algumas motos de grande capacidade enquanto em Itália se produziam, salvo raras exceções, motociclos equipados com motorizações de pequena cilindrada.


Na competição, ao nível internacional, a FIM institucionalizou as 500cc como a classe rainha da Velocidade, enquanto na Resistência eram permitidos, motores de 750cc, no inicio, e, posteriormente, 1.000cc.


Entretanto, nos EUA já existia o hábito de competir com motos de maior capacidade nas provas de Dirt Track e Short Track.


Em 1971, a AMA (federação de motociclismo americana) passou, finalmente, a integrar a FIM (federação internacional) e, juntamente com a ACU (a federação inglesa) regulamentaram a Fórmula 750.


O regulamento impunha um número mínimo para homologação (200 unidades, uma pequena quantidade por forma a permitir a adesão das marcas europeias) no sentido de admitir apenas motos derivadas de modelos de série, apesar disso, o regulamento era bastante liberal no que diz respeito à preparação permitida, tanto ao nível de motor como de ciclística e silhueta. Ao não especificar que as motos autorizadas a participar teriam que derivar de um modelo homologado para andar em estrada, fiando-se apenas na quantidade mínima de homologação como elemento dissuasor, deixou uma brecha que mais tarde a YAMAHA soube utilizar para se impor de forma avassaladora nesta classe. Curiosamente, também, ao não instituir um limite mínimo de cilindrada, abriu a participação às competição cliente da YAMAHA, as icónicas TZ.


As icónicas superbike japonesas: HONDA CB 750 Four, KAWASAKI 750 H2 e SUZUKI GT 750


O Troféu FIM Fórmula 750cc


1973


Barry Sheene, 1973, aos comandos da SEELEY SUZUKI que ganhou a alcunha de "water buffalo"


Em 1973 disputou-se o primeiro troféu FIM para esta classe, a prova inicialmente prevista para os EUA foi anulada e, assim, a primeira prova foi disputada em Imola. Foram os seguintes os vencedores das provas que pontuaram para o troféu:

  • Imola (Itália) – Jarno Saarinen - YAMAHA 350cc (foi a única prova em que participou por ter falecido pouco tempo depois numa prova do CMV de 250cc em Monza)

  • Paul Ricard (França) – Barry Sheene – SEELEY SUZUKI 750cc

  • Anderstorp (Suécia) – Jack Findlay – SUZUKI 750cc

  • Ahvenisto (Finlândia) – Teuvo Lansivuori – YAMAHA 350cc

  • Mosport (Canadá) – Paul Smart – SUZUKI 750cc

  • Hockenheim (Alemanha) – Stanley Woods – SUZUKI 750cc

  • Jarama (Espanha) – John Dodds – YAMAHA 350cc


Imagens da NORTON que, participou na primeira edição do troféu


Mercê da imprecisão regulamentar a YAMAHA TZ 350 foi considerada apta para participar nesta classe e curiosamente ganhou 3 das 6 provas disputadas e, não fora o prematuro e trágico desaparecimento de Jarno Saarinen, a história poderia ser outra, nestas circunstâncias, Barry Sheene aos comandos de uma SUZUKI com quadro SEELEY (derivada da GT 750) foi o primeiro campeão desta classe, as posições seguintes foram ocupadas respectivamente por John Dodds em YAMAHA TZ 350cc e por Jack Findlay em SUZUKI 750cc. Entre os construtores, de destacar uma grande variedade de marcas presentes na classificação final – entre as quais, várias europeias -, venceu a SUZUKI, sendo que nas posições seguintes ficaram, respectivamente, a YAMAHA, a TRIUMPH, a HONDA, a DUCATI, a NORTON, a HARLEY DAVIDSON, a KAWASAKI, a YAMSEL (SEELEY com motorização YAMAHA), a MOTO GUZZI e, por fim, a BSA.


1974


John Dodds, aos comandos de uma YAMAHA TZ 350 em 1974


Fazendo uso do “lapso” regulamentar que permitiu a entrada das TZ 350, em 1974 a YAMAHA tentou homologar (para a classe) a TZ 750 que, na sua versão inicial era de facto uma 700cc que utilizava dois grupos térmicos de TZ 350 num motor de 4 cilindros em linha. Apesar de à letra a moto cumprir os requisitos regulamentares, a FIM entendeu que não correspondia ao espírito da classe e hesitou na hora de a homologar.


Em resultado deste impasse, o troféu desenrolou-se com a polémica instalada e apenas se realizaram 3 das 7 provas inicialmente previstas. Assim, no segundo ano em que o troféu se disputou, foram os seguintes os vencedores:

  • Jarama (Espanha) – John Dodds – YAMAHA 350cc

  • Hameenlinna (Finlândia) – Pentti Korhonen – YAMAHA 350cc

  • Silverstone (Grã-Bretanha) – Paul Smart – SUZUKI 750cc

O vencedor do troféu foi John Dodds aos comandos de uma YAMAHA TZ 350cc , nas posições seguintes ficaram Patrick Pons também aos comandos de uma TZ 350cc e Jack Findlay numa SUZUKI 750cc, o que deixou claro, se dúvidas houvesse, que algo estava mal nesta classe.


Entretanto disputaram-se provas extra-troféu onde a TZ 750cc foi admitida, as performances da moto tornaram clara a necessidade de, contra ventos e marés, a encaixar por forma a popularizar uma classe que estava em agonia.


1975


Jack Findlay, 1975, aos comandos da sua TZ 750


Finalmente, em 1975, a FIM permitiu a homologação da YAMAHA TZ 750 e, simultaneamente, homologou um motor KAWASAKI com o bloco da H2 e refrigeração liquida, aceitando, neste último caso a produção de apenas 25 unidades, a moto com este kit passou a designar-se H3!


KAWASAKI 750


Esta medida deu um novo alento a esta fórmula, o troféu foi disputado em nove eventos com distância mínima de 200 milhas, normalmente – excepto em Daytona - disputadas em duas mangas, uma medida que se justificava pelos problemas de consumo e de durabilidade dos pneus. O domínio da YAMAHA foi avassalador, na primeira prova, em Daytona, os primeiros 19 classificados tripularam as dominadoras TZ 750. Os vencedores foram:

  • Daytona (Estados Unidos da América) – Gene Romero – YAMAHA 750cc

  • Imola (Itália) – 1ª M – Johnny Cecotto – YAMAHA 750cc

  • Imola (Itália) – 2ª M – Johnny Cecotto – YAMAHA 750cc

  • Mettet (Bélgica) – 1ª M – Patrick Pons – YAMAHA 750cc

  • Mettet (Bélgica) – 2ª M – Dave Potter – YAMAHA 750cc

  • Magny-Cours (França) – 1ª M – Barry Sheene – SUZUKI 750cc

  • Magny-Cours (França) – 2ª M – Barry Sheene – SUZUKI 750cc

  • Anderstorp (Suécia) – 1ª M – Barry Sheene – SUZUKI 750cc

  • Anderstorp (Suécia) – 2ª M – Barry Ditchburn – KAWASAKI 750cc

  • Hameenlinna (Finlândia) – 1ª M – Tapio Virtanen – YAMAHA 750cc

  • Hameenlinna (Finlândia) – 2ª M – Tapio Virtanen – YAMAHA 750cc

  • Silverstone (Grã-Bretanha) – 1ª M – Johnny Cecotto – YAMAHA 750cc

  • Silverstone (Grã-Bretanha) – 2ª M – Barry Sheene – SUZUKI 750cc

  • Assen (Países Baixos) – 1ª M – Yvon Duhamel – KAWASAKI 750cc

  • Assen (Países Baixos) – 2ª M – Yvon Duhamel – KAWASAKI 750cc

  • Hockenheim (Alemanha) – 1ª M – Patrick Pons – YAMAHA 750cc

  • Hockenheim (Alemanha) – 2ª M – Patrick Pons – YAMAHA 750cc

No final da época, Jack Findlay, aos comandos de uma YAMAHA TZ 750cc, sagrou-se vencedor do Troféu FIM 750cc, sem ter vencido qualquer corrida, provando, ainda assim, que esta era uma competição cliente aos comandos da qual um piloto privado poderia aspirar a vitória! Nas posições seguintes ficaram, respectivamente Barry Sheene em SUZUKI 750cc e Patrick Pons com outra YAMAHA TZ 750cc. Entre os construtores, 3 marcas pontuaram, venceu a YAMAHA seguida da SUZUKI e da KAWASAKI.


1976


Apesar de esta classe se estar a tornar popular entre os pilotos, a FIM continuou a tratá-la como parente pobre e a impor critérios mais brandos aos organizadores dos eventos. Fruto deste relaxe, em 1976, as provas da Finlândia e da Suécia foram canceladas à última hora e a prova da Venezuela teve um erro na contagem de voltas, razão pela qual a FIM entendeu não considerar os resultados da mesma efeito de classificação final do, ainda, troféu.


Em Daytona, a primeira prova, a única corrida disputada apenas numa manga de 200 milhas, a durabilidade dos pneus foi o grande protagonista e apesar do favoritismo de Kenny Roberts, o vencedor foi Johnny Cecotto que optou por uma afinação de motor com uma entrega de potência mais suave, o que lhe permitiu fazer toda a corrida sem ter que mudar de pneus. Os vencedores desta época foram:


  • Daytona (Estados Unidos da América) – Johnny Cecotto – YAMAHA 750cc