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ATUALIDADE - La Bañeza

August 14, 2019

La Bañeza é um município de Espanha na província de León, comunidade autónoma de Castela e Leão. Tem uma população de cerca de 12.000 habitantes.

 

O maior cartaz do município é a prova de motociclismo que, este ano, cumpriu a 60ª edição. A competição desenrola-se no traçado da urbe e o circuito tem um perímetro de 1.750 m.

 

A organização está a cargo do Moto Clube Bañezano sob a égide da RFME.

 

Durante a longa existência deste evento, disputou-se pela primeira vez em 1952, o mesmo desenrolou-se maioritariamente sem pontuar para qualquer campeonato. Ainda assim, entre 1977 e 1985 as corridas pontuaram para o Troféu Nacional Sénior.

 

1977, o primeiro ano do Troféu Nacional Sénior 

 

Foi em La Bañeza que Angel Nieto obteve a sua primeira vitória aos comandos de uma DERBI, mais tarde terá dito: “Para ser Campeão do Mundo, antes tem que se correr em La Bañeza”. Hoje o povo de La Bañeza devolve-lhe a gentileza com um enorme mural.

 

Este ano, Osvaldo Garcia foi um dos representantes lusos, participou nas Super-Series com uma DUCATI Pantah 350cc, aqui, no fim da corrida, a agradecer os aplausos enquanto passa pelo mural de Angel Nieto (foto: Conchi Ares Rodriguez)

 

Este ano, a manifestação teve 4 corridas, 3 de clássicas e uma de motos contemporâneas.

As classes em liça tinham as seguintes características principais:

  • Clássicas 2T – até 250cc, 2T, monocilíndricas, produzidas entre 1945 e 1972, não são admitidas motos japonesas, pilotos com 35 ou mais anos. Esta classe é quase exclusivamente preenchida com motos de origem espanhola, BULTACO, MONTESA e OSSA;

  • Classicas 4T – até 500cc, 4T, monocilíndricas, produzidas entre 1945 e 1972, não são admitidas motos japonesas, pilotos com 35 ou mais anos. Esta classe é dominada pelas DUCATI em grande maioria contra escassas NORTON ou MATCHLESS;

  • Super-Series – até 650cc, 4T, pluricilíndricas, produzidas até 31-12-1984, só são admitidas motos europeias, a SANGLAS 400cc, apesar de equipada com motor YAMAHA pode participar, pilotos com 35 ou mais anos. Esta classe é dominada pelas DUCATI Pantah, apesar da boa réplica das MOTO GUZZI, o plantel é um pouco diverso, inclusive uma BENELLI 500cc 4 cilindros;

  • Gran Premio – esta é a única classe extra-Clássicas, podem participar motos de competição contemporâneas de 125cc e Moto 3, pilotos com idades compreendidas entre os 16 e os 50 anos;

Integrado no programa, realiza-se uma exibição de clássicas em que as motos participantes cumprem por duas vezes, uma em cada dia da manifestação, algumas voltas ao traçado. Este ano podemos assistir ao desfilar de um plantel heterogéneo e bastante interessante, uma KRAUSER 80cc (ex-Doerflinger), uma DERBI 50cc RAN (Replica Angel Nieto), uma HONDA RS 250cc, um espetacular híbrido com quadro de TZ 250cc, motor de RD 500 LC e carroçaria da YZR 500 e Rainey, para além de muitas outras interessantes preciosidades de idades diversas.

 

 

 

 (fotos: Artur Meireles)

 

Paralelamente, desenrola-se uma feira do motor onde podem ser apreciadas mais algumas relíquias para além de tendas de venda dedicadas a memorabilia, peças antigas e outros artigos relacionados.

 

Sem ter que entrar num asséptico museu, em La Bañeza recuamos no tempo, aqui podemos sentir o odor do CASTROL R, ver reliquias de corrida a cumprir o seu destino: competir. Longe de gigantescos "hospitality" e das rigidas normas de "dress code" hoje impostas no Campeonato do Mundo de Velocidade e postas como objectivo pelos seus sucedâneos, a informalidade do paddock bañezano é acolhedora. A paixão sobrepõe-se ao excesso de profissionalismo!

 

 

1968 e a mítica vitória de Angel Nieto

 

Este ano, 60.000 pessoas acorreram a La Bañeza e desfrutaram de um ambiente que só é possível num evento deste tipo.

 

Muitas vozes se levantam sempre contra as provas urbanas pelo perigo inerente aos condicionalismos da segurança passiva próprias de um circuito destas características, no entanto, esta organização mostrou-se à altura e, de alguma forma, o perigo é diminuído pelas prestações das clássicas e pelo facto de o traçado não ser excessivamente rápido.

 

Para quem gosta, o ambiente compensa os eventuais defeitos e a poesia própria deste tipo de corrida é compensação suficiente. E, não foi isto que nos fez gostar de corridas de motos?!...

 

José Carlos Figueiredo, mais um atleta português que participou nas Super-Series aos comandos de uma MORINI 500cc

 

 Reportagem completa de 2019- 60ª edição ((video: MEDIAPLANET ES)

 

 

 

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