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Phil Read, o príncipe da velocidade

October 5, 2018

Phil Read

 

Phillip William Read (M.B.E.), nasceu em Luton/Bedfordshire/GB a 1 de Janeiro de 1939), é um piloto de motociclismo que fez uma notável carreira internacional na velocidade. Foi o primeiro piloto a ter conquistado títulos de Campeão do Mundo nas classes 125cc, 250cc e 500cc.

 

No total acumulou sete títulos: 125cc em 1968, 250cc em 1964, 1965, 1968 e 1971 e 500cc em 1973 e 1974. Cumulativamente, alcançou ainda o campeonato de Formula TT em 1977, um título atribuído, esse ano, num único evento, a Ilha de Man.

 

Oriundo de uma família que tinha o gene do motociclismo, o gosto e os primeiros passos de Phil nas motos surgiram cedo e com naturalidade. Foi a sua mãe que o iniciou na condução, ela própria tripulava no seu dia-a-dia uma RUDGE de 1922  Aos 13 anos, Read recebeu uma MATCHLESS 250 e os seus ídolos eram as estelas da época Geoff Duke e John Surtees, A sua carreira desportiva teve inicio em 1955 (aos 16 anos que era a idade mínima legalmente exigida para participar em competição em Inglaterra). Participou assiduamente em competições nacionais aos comandos de várias motos, tais como VELOCETTE, BSA e NORTON.

 

 

Em 1957, com 18 anos, numa corrida em Mallory Park impulsionou a sua carreira para um patamar superior. Obteve a sua primeira vitória um ano depois, no mesmo circuito. A sua notoriedade sofreu um grande incremento quando, surpreendentemente, venceu a categoria de iniciação na Ilha de Man, em 1960.

 

Em 1961 , venceu a  Junior TT aos comandos de uma NORTON 350 superando as estrelas Mike Hailwood e Gary Hocking, foi a primeira vitória que obteve no Mundial! No final do ano foi 12º nas 125 cc aos comandos de uma EMC (apenas participou em 2 das 11 corridas do campeonato, tendo desistido no IOMTT e obtendo a 4ª posição na Holanda),  5º nas 350cc aos comandos de uma NORTON (apenas participou em 3 das 7 corridas do campeonato, venceu no IOMTT e ficou na 4ª posição na Holanda e em Ulster) e 15º nas 500cc aos comandos de uma NORTON (apenas participou em 2 das 10 corridas do campeonato, desistiu no IOMTT e ficou na 4ª posição na Holanda).

 

 

Em 1962, Read permaneceu como piloto privado com NORTON, participou em 350cc e 500cc. Surpreendeu ao ser terceiro no Mundial de 500cc, derrotado apenas pela MV AGUSTA oficial de Hailwood e por Alan Shepherd, na época piloto oficial da MATCHLESS. Nesse foi, portanto, o melhor piloto privado do Mundial na classe principal.  Nas 350cc em 2 das 6 corridas do campeonato, tendo alcançado o 15º posto.

 

A convite de Geoff Duke, um dos seus ídolos da juventude, em 1963, substutuindo Derek Minter que ficou lesionado em resultado de um acidente em Brands Hatch quando discutia a vitória com Dave Downer - que faleceu no mesmo acidente -, Phil ocupou um lugar na SCUDERIA DUKE GILERA GRAND PRIX. Nesta formação deu nas vistas e afirmou-se ao alcançar a terceira posição no Senior TT da Ilha de Man, a segunda posição no Dutch TT de Assen e a mesma posição no GP da Bélgica. Na corrida seguinte, o Ulster GP em Dundrod, Derek Minter reclamou o seu lugar na equipa e Phil ficou sem montada competitiva para esta classe. Ainda que como piloto de substituição, no final do ano a aventura com a GILERA resultou na 11ª posição nas 350cc e na 4ª posição entre as 500cc. 

 

No mesmo ano, 1963, a YAMAHA inicia a sua participação no Mundial nas classes 125cc e 250cc com Fumio Itoh como piloto nas duas classes. Apercebendo-se que o futuro passaria pelas marcas japonesas, a HONDA e a SUZUKI já estavam lá antes da YAMAHA chegar, Read aceitou o convite da YAMAHA para participar nas classes 125cc e 250cc a partir de 1964. Tendo a sua primeira participação com esta marca acontecido no GP do Japão (última prova do campeonato) ainda em 1963, enquanto permanecia na equipe de Duke nas 500, que havia perdido o apoio da GILERA. A agressividade de Read levou a Yamaha RD 56 de dois tempos ao pelotão da frente e para a alegria dos japoneses, alcançou o 3º lugar na sua primeira participação com  a marca (250cc).

 

Em 1964 fez apenas uma (GP da Holanda) corrida de 125cc (YAMAHA) tendo conseguido a 2ª posição que implicou a 8ª posição no final do campeonato desta classe. Nas 250cc (YAMAHA), a classe a que, nesse ano, mais se dedicou, participou em 8 das 11 provas que compunham o campeonato desta classe, averbando uma desistência (IOMTT), um terceiro lugar (Espanha), um segundo lugar (Holanda) e 5 vitórias (França, Alemanha Federal, Alemanha Democrática, Irlanda e Itália), este resultado apresenta várias novidades: o primeiro de sete títulos mundiais de Phil, mas também o primeiro título da YAMAHA e o primeiro título de uma moto equipada com motor 2T. Nas 350cc participou apenas na IOMTT aos comandos de uma AJS tendo alcançado o 2º posto (6º no final do campeonato). Nas 500cc participou em 6 (cinco com MATCHLESS e uma com NORTON) das 10 provas do campeonato, desistiu na IOMTT, ficou em 6º na Holanda, 3º na Alemanha, 2º nos EUA e na Bélgica, tendo vencido em Ulster (Irlanda), no final do campeonato foi  3º.

 

Em 1965, com YAMAHA apenas, concentrou-se nas 250cc e venceu de forma arrasadora, participou em dez das treze provas que integraram o campeonato desta categoria, desistiu na IOMTT, ficou em segundo na Bélgica e na Alemanha Democrática, tendo vencido em sete ocasiões: EUA, Alemanha Federal, Espanha, França, Holanda, Checoslováquia e Irlanda. No evento da  Ilha de Man participou também nas 125cc tendo vencido e nas 350cc alcançando a segunda posição!

 

1966 não foi um ano tão positivo para Read, continuou dedicado à YAMAHA e participou assiduamente nas 125cc tendo ficado na quarta posição do campeonato (alinhou em 9 das 10 provas do campeonato, tendo averbado uma desistência, um quinto lugar, três quartos lugares, três terceiros lugares, um segundo lugar e uma vitória - na Finlândia-). Nas 250cc a YAMAHA estreou um novo motor V4 que não conseguiu produzir o resultado desejado e Phil terminou na segunda posição atrás de Mike Hailwood e da mítica HONDA 6 cilindros. Participou ainda na última prova das 350cc, Japão, tendo vencido, o que lhe deu direito à 8ª posição no final do campeonato desta classe.

 

Em 1967 concentrou-se apenas nas 125cc e nas 250cc, sagrando-se vice-campeão nas duas classes. Nas 125cc foi suplantado pelo seu companheiro de equipa Bill Ivy e nas 250cc Hailwood foi mais uma vez o campeão, ainda que desta vez de uma forma mais equilibrada, 4 vitórias para Phil e 5 para Mike. Em 125cc, Ivy dominou o campeonato, enquanto Read teve que se conformar com a segunda posição, o que causou algum desconforto a Read. Ainda assim, nas 250cc, a YAMAHA forneceu uma moto muito competitiva a Read e ele disputou o campeonato palmo a palmo com Hailwood. Chegaram à última prova, o GP do Japão em Fuji, empatados com 50 pontos. O melhor colocado nessa prova seria campeão, ambos desistiram e Hailwood sagrou-se campeão por ter mais uma vitória.

 

1968 foi o ano em que a HONDA decidiu abandonar o campeonato, Mike Hailwood mantendo o salário a que o contrato obrigava ficou em casa e a YAMAHA por forma a conter a rivalidade crescente dos seus dois pilotos decidiu que Read ganharia as 125cc e Ivy as 250cc. De facto Phil ganhou as 125cc e aproveitando o embalo, contrariando as instruções da marca, averbou também o título nas 250cc!

 

Fruto da sua rebeldia ficou sem moto de fábrica em 1969 e 1970. Em 1969, participou, com YAMAHA, mas na condição de piloto privado no IOMTT (tendo desistido nas 250cc e nas 350cc) e no GP das Nações (Itália/Monza) onde provou todo o seu valor ao vencer nas duas classes. Em 1970 participou apenas na Holanda (2º nas 250cc e 3º nas 350cc) e no GP das Nações (3º nas 250cc).

 

Em 1971, Phil dá a volta por cima, aos comandos de uma YAMAHA privada, deu prioridade às 250cc tendo que fazer frente às estrelas ascendentes Jarno Saarinen e Rodney Gould. Foi uma temporada super disputada e no fim,  Read conquistou mais um título! Nas 350cc, apenas duas participações: desistiu no IOMTT e ficou em segundo lugar na Holanda. Participou ainda, aos comandos de uma DUCATI, no GP das Nações nas 500cc tendo alcançado a 4ª posição.

 

Entretanto, a MV AGUSTA dominava nas 350cc e nas 500cc. Phil Read cantou aos quatro ventos que se pilotasse uma destas motos venceria as duas categorias deixando para trás o mitico Giacomo Agostini e a estrela em ascenção Saarinen. Surpreendentemente, depois dos seus antecedentes na YAMAHA, a MV AGUSTA contratou-o, inicialmemente nas 350cc, posteriormente nas 500cc e o resultado foi supreendente.

 

Em 1972 participou (em 5 das treze corridas) com a YAMAHA privada nas 250cc, o resultado foram duas vitórias, dois terceiros lugares e um quarto lugar (no ranking final foi 4º). Nas 350cc, a sua estreia com a MV AGUSTA (6 participações em doze provas) não brilhante: uma vitória, um segundo lugar, um terceiro lugar, um quarto lugar, um quinto lugar e uma desistência (no ranking final foi quinto).

 

 

Em 1973, aos comandos da marca transalpina nas 350cc e nas 500cc, alcançou o seu primeiro título nas 500cc beneficiando de alguma irregularidade de Agostini e do trágico desaparecimento (GP das Nações/250cc) de Jarno Saarinen. Nas 350cc alcançou a terceira posição final atrás de Agostini e de Teuvo Lansivuori. Durante a época, Giacomo Agostini queixou-se assiduamente do ambiente que Phil Read, alegadamente, provocava na equipa, esta foi a justificação que encontrou para se passar de armas e bagagens para a YAMAHA na época seguinte!

 

Em 1974 e 1975, Phil dedicou-se apenas às 500cc com a MV AGUSTA, Sagrou-se, mais uma vez, campeão nas 500cc (o seu 7º e último título no "Continental Circus) em 1974. Após um ano de desenvolvimento, a YAMAHA proporcionou a Agostini uma moto muito competitiva, em 1975 e o campeonato foi muito disputado entre a ágil YAMAHA 2T de Agostini contra a pesada MV AGUSTA de quatro tempos de Read. Apesar do grande empenho demonstrado e de ter alcançado duas vitórias, o inglês teve que se contentar com o vice-campeonato atrás de Giacomo Agostini (YAMAHA).

 

Em 1976 participou apenas em três provas de 500cc em SUZUKI, tendo averbado uma 2ª e uma 3ª posições acrescidas de uma desistência.

 

Apercebendo-se do surgimento de uma nova era, das motos dois tempos, a MV AGUSTA entendeu retirar-se do Mundial de forma oficial e isso foi praticamente o fim dos bons tempos de Phil Read. Com 36 anos, Read assistiu ao aparecimento da nova vaga: Marco Lucchinelli, Johnny Cecotto e Barry Sheene, que tirou uma foto com Read quando era uma criança. Read volta a ser um piloto privado e mesmo correndo com a mesma Suzuki que dominou o ano com Sheene, em 1976 participou apenas em três provas de 500cc em SUZUKI, tendo averbado uma 2ª e uma 3ª posições acrescidas de uma desistência.. Read decidiu afastar-se do Mundial após 17 temporadas, sete títulos mundias: 1964-250, 1965-250, 1968-125 e 250, 1971-250, 1973-500 e 1974-500, 113 Grandes Prêmios, 52 vitórias, cinco poles, uma volta mais rápida e 121 subidas ao pódio, contabilizando as três categorias. Até o surgimento da lenda Valentino Rossi, Phil Read foi o único a ter vencido pelo um título Mundial nas três categorias (125, 250 e 500).

 

POPULARIDADE

 

 

Read passou a disputar corridas esporádicamente, inclusive com uma vitória marcante no TT, na Ilha de Man, em 1977, aos comandos de uma HONDA, derrotando na ocasião Mike Hailwood, levando o troco no ano seguinte. A última corrida de forma competitiva de Phil Read foi o TT de 1982, quando o inglês tinha 43 anos. Até hoje, Read, mais conhecido na Inglaterra como o "Princípe da Velocidade", participa de eventos históricos de motos e em 2002 entrou, de forma legítima, no hall das Lendas do Mundial de Motociclismo. Read pode ter tido seus defeitos e trazido vários inimigos para si, mas não restam dúvidas que o inglês é uma grande figura da história do motociclismo.

 

Phil Read é também uma das primeiras figuras em que a popularidade ultrapassou o meio motociclistico, com algumas atitudes e comportamentos de estrela (a partir de determinada altura começou a deslocar-se de ROLLS ROYCE), tendo, também, potenciado de forma pioneira a venda de réplicas do seu capacete, um desenho que perdura e vendável até aos dias de hoje!

 

Actualmente, Phil Read M.B.E. vive em Canterbury Kent.

 

Depois do falecimento de John Surtees, Phil é o mais velho Campeão do Mundo de 500cc sobrevivente!

 

 

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